quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

MARIA APPARECIDA CÔRTES MACEDO E SEU CONCERTO PARA PIANO

Com uma carreira em que predomina a atuação como pianista, não surpreende que Maria Apparecida Côrtes Macedo tenha escrito um concerto para seu instrumento. Inicialmente intitulada Fantasia, a peça estreou em formação camerística em 1980, com regência de Tonyan Khallyabby frente à Camerata Musicamara, da qual era pianista oficial.

Grande parte da obra desta compositora é para piano, ou para canto e piano, e vem sendo apresentada e gravada regularmente em São Paulo. Também no campo da música popular obteve prêmios em concursos no interior de São Paulo.

O Concerto para Piano e Orquestra, apresentado no dia 25 de janeiro, em celebração pelo aniversário da cidade de São Paulo, já havia estreado, na forma Concerto, em dezembro de 2015, no Teatro Cacilda Becker, em São Bernardo do Campo.  Nesta apresentação o pianista foi José Mauro Peixoto e o regente, Geraldo Olivieri, frente à Orquestra Sinfônica de São Bernardo do Campo. Integrou o programa também o Réquiem de Gabriel Fauré, compositor do impressionismo francês.
Na apresentação de 25 de janeiro tivemos oportunidade de assistir, com o Teatro São Pedro repleto de público vibrante e entusiasta, que aplaudiu de pé, o Concerto para Piano e Orquestra de Maria Apparecida. Esta obra dividiu o palco com a Abertura Trágica op. 81, de Johannes Brahms, e com o Concerto para Quatro Trompas op. 86, de Robert Schumann, dois dos grandes representantes do romantismo alemão.

Este Concerto é em três movimentos: Andante, Adagio, Allegro. Apresentado entre as duas obras, reconhecidas internacionalmente, o Concerto mostrou um brilho muito especial – aquele brilho que acompanha a própria imagem do Brasil. Exuberante sem exageros, com belíssimas melodias em cada movimento, não utiliza os clichês que quase sempre estão presentes nas peças nacionalistas: escalas e células rítmicas. O bom gosto em sua elaboração, e a orquestração de Otávio Simões, equilibrada e sem redundância, fez desta peça um retorno ao nosso ímpeto atávico de ser feliz, depois de tanto tempo em que a música brasileira está alijada das salas de concerto. E os aplausos duradouros e intensos comprovam que o público presente percebeu tudo isso – e aprova incondicionalmente.

Merecem um chamado especial o jovem e excelente pianista Renan Branco, graduado na classe de Amilcar Zani, na USP, em 2014. E o brilhante regente André dos Santos, assistente de Luiz Fernando Malheiro, com excelente currículo nacional e internacional. Também a Orquestra do Teatro São Pedro faz jus a elogios, com sua precisão e clareza perfeitamente audível em cada sonoridade.

Dentro do mesmo programa, os solistas Rafael Nascimento, Eric Gomes, Lucca Soares e Vagner Rebouças, do Concerto para Quatro Trompas op. 86, de Robert Schumann, tocaram integrados e coerentes em sua interpretação, entre si e com a orquestra. No arcabouço da obra de Schumann há uma rede sutil de ilações harmônicas e interpretativas, que exigem dos intérpretes, da orquestra e do regente, uma percepção aguda e muito equilíbrio, equilíbrio que esteve presente nesta récita e que fechou a noite com tranqüilidade, depois do emocionante trajeto colorido e brilhante do Concerto para Piano.   


Esperamos que em breve a gravação destas obras  esteja no YouTube, e esperamos mais ainda que se mantenham no repertório desta e de outras orquestras. 

Um comentário:

Eliana Monteiro da Silva disse...

Muito obrigada pela resenha Nilceia Baroncelli! Eu não pude ir ao concerto mas, dadas as suas considerações, vou procurar conhecer a obra desta compositora brasileira! Quanto ao pianista Renan Branco, conheço seu talento desde quando ele fazia Graduação na ECA-USP, aluno do Prof. Amilcar Zani. Sempre foi um músico talentoso e sensível, com uma interpretação clara e especial!

Eliana Monteiro da Silva